Arquivo para Pensamentos | Sorvete de Chiclete
05 • outubro • 2015

Lá e de volta outra vez



Neste momento, estou me preparando novamente para entrar em um avião rumo a uma viagem incrível. Eu não sou bem o tipo de pessoa que sempre está passando por algum aeroporto em incontáveis viagens para diversos destinos, não tenho esse tipo de oportunidade no meu trabalho e nem dinheiro sobrando para fazer isso apenas por prazer, infelizmente. Eu viajo quando posso e geralmente isso requer mais sacrifícios do que parece, mas me orgulho de cada uma das viagens em que eu invisto meu sangue, suor e lágrimas ser absoluta e completamente especial pra mim.

Desde criança eu tenho algo com aviões e viagens: sempre amei me sentir viajante. Sempre gostei de conhecer novos lugares, sempre me empolguei com novos destinos a visitar e sempre me senti bem voando bem lá no alto, nas nuvens de algodão doce. Medo de voar? De experimentar coisas novas? Não, esses nunca tive, obrigada. Estar nas nuvens é algo que combina muito comigo, até quando estou bem aqui, estou meio longe voando pra algum lugar.

Como não poderia ser diferente, essa também vai ser uma viagem especial. O destino eu já conheço, o roteiro não é surpresa pra mim, porém eu não tenho dúvidas de que as experiências serão bem diferentes. A expectativa está enorme, sabe?

A minha vida em si é uma coisa engraçada, tenho certeza que algo nesse Universo gigantesco conspira pra que tudo, de bom ou ruim, aconteça de uma vez só comigo. Quando as coisas dão pra desandar, tudo fica uma bela bosta ao mesmo tempo, mas quando as coisas boas chegam geralmente é numa avalanche tão intensa que mal tenho cabeça pra processar tudo. E essa viagem chega em um momento muito importante: daqueles em que eu tenho que descansar e esquecer tudo que deu errado até agora pra focar no que tem dado certo e, claro, agradecer por isso. A parte de agradecer já trabalhamos, obrigada!

Tem dias que a gente esquece que nada nessa vida acontece por acaso e que há certas coisas que não cabe a nós planejar, tudo acontece exatamente quando deve ser. Eu não planejava rumar para esse destino tão cedo, mas depois de estar por lá, cá estou de volta outra vez.

16 • agosto • 2015

O vento me contou


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Era uma vez, numa manhã fria, porém ensolarada… Não! Espera, não é bem assim que gosto de começar a contar histórias. Eu adoro contar coisas e casos pras pessoas, mas tem coisas que são muito mais do que simples histórias que terminam com felizes para sempre.

Bem, vamos tentar recomeçar. A manhã continua fria e ensolarada, mas os olhos já não estão mais inchados do choro, o coração não parece mais preso dentro de uma gaiola onde só cabe um grilo, os caminhos não parecem mais tão obscuros e confusos a seguir. Uma minúscula luzinha brilha lá no fundo, um misto de futuro, esperança, foco.

Naquele dia, o vento me contou sobre coisas que ainda estão por vir, me contou que não sei de tudo e tenho muito a aprender, me contou que precisamos sim dar ouvido ao coração, mas nunca ao que outros dizem. Ele me disse, não tão claramente, que há pessoas querendo te dizer o que fazer, enquanto outras delas te dizem apenas pra fazer e contar com seu apoio para o que precisar. Você escolhe as que estão do seu lado e com quem deseja compartilhar coisas boas.

De tudo que ele me diz, nada significou mais do que me alertar para os ventos de mudança. Aqueles mesmos dos ditados das nossas avós e que continuamos sem enxergar, demoramos a aceitar e custa muito se adaptar. Daquele que deixam a gente confusa por dentro, sem se decidir por baunilha ou morango, pelo estável ou o sonho, pelo preto ou pelo branco.

Sempre há as cores, o colorido, as nuances em cada situação, em cada palavra, em cada um que está dentro ou fora, em cada acontecimento. Feliz, entendi que o que estava por vir era mudança, desconfortável, levemente sofrida, como toda viagem para longe da zona de conforto começa.

Tem algo sobre o vento que nunca vou entender: essa habilidade de trazer consigo coisas boas. Pode ser uma brisa, ou um vendaval, não há como prever. Sei, muitas vezes ele precisa varrer um bocado de coisas antes de permitir que essas, tão boas, cheguem. Somos tolos e nem sempre enxergamos um pouco além do que é visível, mas elas sempre vem, com o devido esforço e exatamente na hora que deveriam acontecer.

10 • agosto • 2015

Lições que agosto me deu


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Se eu precisasse resumir agosto em uma palavra seria intensidade. Escolhi embarcar em dois projetos um tanto quanto suados e trabalhosos e justamente nesse mês tive uma quantidade inacreditável de compromissos inadiáveis ou que necessitavam de muita dedicação da minha parte.

Eu me senti pronta, sabe? Mas quando se tem trabalho e novas atividades a conciliar com isso, muitas vezes a rotina não acompanha as vontades e limita um pouco os alcance dos passos que tentamos dar. Novamente, tem toda aquela coisa de escolhas e de tentar entender a hora certa de fazer cada coisa. Ser ansiosa demais é ó: uma bosta!

1. A vida é surpreendente, não impeça ela de seguir esse movimento
2. Sempre é possível fazer novos amigos (e roubar um pouquinho do sotaque fofo deles) e novas pessoas podem se tornar queridas e importantes em poucos instantes.
3. Uma noite inteira chorando e remoendo suas próprias dores pode ser o que você precisa para renovar suas forças e seguir em frente.
4. Tirar alguns dias de folga da rotina sem culpa alguma pode ser uma das melhores coisas a se fazer para se acalmar.
5. Ficar sem internet nem sempre é uma tortura.
6. Uma viagem boa nunca dura tempo suficiente, sempre poderia ser mais longa
7. Não leve chinelos surrados para uma viagem, pois eles podem se arrebentar no meio de uma caminhada, sempre leve os chinelos mais novos que você tiver (ou você vai ter que andar descalça enquanto procurar um novo par pra comprar)
8. Entenda seus limites, mas nunca deixe de dar o seu melhor em qualquer coisa que fizer.
9. Sempre se pode aprender algo novo, esteja aberto a isso e, principalmente, a ver outros lados da mesma história e mudar de opinião.
10. Independência e auto conhecimento são essenciais nessa vida, valorize seu relacionamento consigo mesmo, seus momentos de solidão e introspecção e aproveite-os da melhor maneira possível.

Depois de tantas pequenas coisas, agora já dá voltar e organizar as coisas por aqui. O BEDA vai continuar, o VEDA também e espero muito que vocês estejam gostando!

03 • agosto • 2015

O caos essencial


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Eu me sento ali, no mesmo lugar, e penso sobre as coisas. Tento entender as coisas que estão acontecendo, bem devagar, pra ver se tudo vai se ajeitando melhor. E não adianta muito: eu enxergo o erro, mas continuo querendo controlar as coisas numa medida em que só faz elas se atrapalharem mais e que eu não consigo exatamente manter organizado.

Tentar deixar tudo muito certinho vai meio que me pirando, minha natureza é de bagunça mesmo. É tanto esforço pra organizar, que não sobra nada pra executar o que foi organizado, uma tentativa inútil de colocar no lugar coisas que não precisam realmente ficar paradinhas sempre no mesmo quadrado.

O pior é que sem organização não faço nada. Mentira, eu até faço, mas no meu tempo e não do tempo do mundo. Infelizmente, o mundo é maior que eu, mais cruel, exigente e controlador.

Custei a entender que existem coisas que necessitam do caos, que ele é essencial em certos momentos da vida e que muitas coisas não aconteceriam sem. Nem sempre é fácil aceitar que algumas coisas precisam de doses cavalares de descontrole, que se acaba encontrando algum sentido no incontrolável. É como aquela descarga de adrenalina louca que faz mães levantarem carros para salvar a vida de seus filhos, ou que faz o nosso coração acelerar e os pelos do corpo se arrepiarem quando ouvem um barulho na cozinha no meio da madrugada. Isso também é caos, é algo que sai da rotina e do que planejamos.

Veja bem, eu acho importante planejar, faz gente ter foco nos desejos, cuidar do nosso dinheiro ou mesmo preparar aquela surpresa legal pra alguém, mas tudo que se faz necessita de um pouco de leveza. Não é preciso levar tudo sempre tão a sério. Necessita-se deixar.

Deixei.

Deixei pra lavar a roupa amanhã, deixei a cama bagunçada mesmo, deixei aqueles papéis pra organizar depois, deixei o papel de chiclete largado na escrivaninha. Deixei o computador em casa, deixei pra tirar aquelas fotos no fim de semana. E vou deixando, deixando…

Até que uma hora não tem mais o que deixar: deixei, já foi, já aconteceu, sem eu nem precisar controlar. E, olha, eu estou apanhando legal enquanto aprendo a dar espaço pra vida me levar, sozinha, por onde acha que eu devo ir.

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