No meio da tempestade | Sorvete de Chiclete
28 • junho • 2016

No meio da tempestade


 

Seria um tanto idiota começar um texto aqui reforçando o quanto estou estou ausente do blog. É uma coisa tão óbvia para vocês que me seguem, acompanham meu trabalho e sei que minha ausência aqui e em grande parte das redes sociais foi sentida por vocês pela quantidade de mensagens que tenho recebido.

Chega um momento da vida em que a gente aprende que não é obrigado a dar satisfações a ninguém. Se o fizermos, deve ser porque queremos, não porque precisamos, e as justificativas muitas vezes são para convencer a nós mesmos sobre o que se passa e sobre os motivos de cada uma de nossas escolhas.

Na maior parte das vezes, tempo difíceis e situações complicadas são muito importantes para nós e fazem mais parte de uma coisa interna do que externa, nada que seja culpa do mundo ou dos outros. Quando as coisas ficam conturbadas, quase sempre é reflexo de nossas próprias dúvidas, confusão e bagunça interiores. Não existe o menor problema em estar bagunçado – ou mesmo escolher bagunçar as coisas – por dentro, faz parte da vida que nada seja um roteiro perfeito de conto de fadas e que, de vez em quando, praticamente tudo comece a desmoronar e dar errado.

Eu tenho uma instabilidade natural, completamente minha, que deixei de odiar há algum tempo e passei apenas a aceitar e entender como parte da minha personalidade, de quem eu sou e de quem eu ainda vou ser. Minha inquietude faz de mim única. Ser assim já me derrubou de joelhos no chão muitas vezes, mas me fez levantar confiante mais vezes ainda.

Eu mudo de ideia rápido. É meu jeitinho e seria mentira dizer que não me amo exatamente como eu sou, uma inconstância meio sem explicação. Algumas vezes é suficiente cortar o cabelo ou mudar os móveis de lugar, mas em outras eu preciso de um furacão inteiro para me renovar. Como num jogo meio maluco de tudo ou nada onde eu sempre perco, mas sempre venço também, tudo na mesma rodada.

Preciso derrubar todas as moradas, conexões e pontes que construí, olhar os destroços todos daquilo que não existe mais para seguir, deixar para trás e recomeçar. Sutileza não combina comigo, quando me renovo precisa ser por inteiro, por completo, um início do zero. Ninguém entende muito, mas ninguém precisa entender mesmo.

É como se esse meu furacão ainda não tivesse chegado aqui de verdade, mas vem vindo. Sinto os ventos, a chuva e os indícios, mas por enquanto é só previsão do tempo. Caso ele chegue aqui, pode ser que seja a hora de dar adeus a tantas partes de mim que talvez até coisas boas se percam, coisas que me fazem feliz também. Outras mais precisam chegar, porque já não sou a mesma de ontem, não sou quem imaginava que seria, e amanhã já serei outra mais uma vez.

Por enquanto, me dou tempo e espaço para aguardar pacientemente o que meu coração quer deste furacão.

Se vier, se chegar…

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